O cenário nos postos de combustíveis das principais artérias rodoviárias da Argentina atinge proporções críticas. A grave falta de óleo diesel, provocada pelo represamento de preços internos, escassez de reservas em dólares do Banco Central argentino para importação e disparada global das cotações energéticas, instalou um gargalo logístico sem precedentes no país vizinho.

Longas filas de caminhões de carga e veículos de viagem formam-se em dezenas de quilômetros nas províncias agrícolas de Santa Fé, Córdoba e Buenos Aires, com motoristas aguardando até três dias para conseguir cotas racionadas de combustível.

O impacto em cadeia: da colheita à mesa do consumidor

O transporte de grãos e o funcionamento dos maquinários nas lavouras sofreram interrupção imediata, deflagrando alertas sobre o fornecimento básico de alimentos:

  • Trabalho no campo paralisado: Tratores e colheitadeiras sem combustível não conseguem recolher a safra de milho e soja no período ideal, gerando risco de perdas físicas irreversíveis.
  • Impacto no trigo e no preço do pão: A semeadura do trigo de inverno foi atrasada pela impossibilidade de movimentar tratores, ameaçando a produção de farinha no ciclo seguinte e pressionando os custos da cesta básica no Mercosul.
  • Bloqueio de cargas bilaterais: Caminhoneiros do Brasil, Chile e Paraguai em trânsito pela Argentina relatam estarem retidos em postos de fronteira sem previsão de retorno aos seus destinos.

A crise reforça a vulnerabilidade de modelos econômicos que tentam conter artificialmente os preços de energia sem garantir a solvência das cadeias de importação e distribuição nacional.