O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, determinou que a Meta envie, em 24 horas, um relatório técnico sobre o canal “Exército do Lula”. A medida responde a pedido da campanha do candidato do PL, Flávio Bolsonaro, que questiona o plano de conformidade da empresa com o tribunal.
A decisão segue a suspensão temporária do canal na semana passada, ordem que foi revertida pelo corregedor‑geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva. Em 14 de outubro, Nunes Marques autorizou a reativação integral da página.
Relatório exigido à Meta
O documento deve conter:
- verificação dos fatos e elementos técnicos apresentados;
- existência de sincronização de atividades, replicação de mensagens e atuação coordenada entre contas, canais e plataformas;
- padrões de engajamento, alcance, compartilhamento e eventual amplificação artificial;
- circulação e redistribuição de conteúdos, inclusive mensagens encaminhadas e conteúdos excluídos ou modificados;
- presença de publicidade paga, impulsionamento e distribuição patrocinada;
- aplicação efetiva do plano de conformidade e providências adotadas;
- análise fundamentada de todos os pedidos formulados no processo.
A Meta também deverá explicar os critérios técnicos usados para diferenciar “mobilização legítima” de “comportamento coordenado potencialmente irregular”.
Contexto da disputa
A campanha de Flávio Bolsonaro solicitou ao TSE a suspensão do canal, alegando divulgação de informações falsas. Em 11 de outubro, Nunes Marques suspendeu o canal, mas a mesma decisão foi anulada no mesmo dia por Villas Bôas Cueva, que reativou a página.
Uma análise técnica do TSE não encontrou conteúdo falso nas publicações examinadas. Em 13 de outubro, o funcionamento do canal ficou condicionado ao registro formal na Justiça Eleitoral, exigência cumprida pela campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que registrou o endereço eletrônico do canal. O canal é administrado pelo deputado federal André Janones.
Decisões subsequentes
Na noite de 13 de outubro, o canal saiu do ar após nova ordem de Nunes Marques. No dia 14, o presidente do TSE determinou que o Facebook, como representante do WhatsApp, restabelecesse integralmente a ferramenta, permitindo novas publicações e a entrada de seguidores.
"o confronto entre as providências formalmente informadas à Justiça Eleitoral e o funcionamento do mecanismo questionado", afirmou o ministro.
A Meta e o Google ainda precisam responder às exigências sobre possíveis amplificações coordenadas de termos e hashtags entre 18 e 20 de outubro de 2026.