Eleições 2026: principais temas que marcaram a campanha
A disputa presidencial de 2026 terminou neste domingo (25) após uma campanha intensa nas ruas e nas redes. O segundo turno colocou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) frente a frente, enquanto a Justiça Eleitoral recebeu mais de 800 ações relacionadas ao pleito.
Voto religioso e a polêmica de Nossa Senhora Aparecida
A campanha ganhou repercussão ao circular nas redes posts que vinculavam Flávio Bolsonaro a um suposto movimento para retirar o título de padroeira de Nossa Senhora Aparecida. O candidato negou a existência de qualquer proposta. Em 25 de setembro, o ministro André Mendonça determinou a remoção das publicações; a decisão foi revertida por Flávio Dino dois dias depois e, em 28 de setembro, o ministro Luiz Fux suspendeu a reversão, restabelecendo a ordem inicial até julgamento pelo plenário do STF.
No dia 30 de setembro, o plenário virtual do Tribunal Superior Eleitoral manteve a retirada dos posts falsos. Sete ministros concordaram com a existência de informação falsa, embora divergiram sobre o alcance da remoção.
Crise no STF e uso de inteligência artificial
A crise envolvendo ministros do Supremo tornou‑se tema central da campanha. Relatórios da Polícia Federal revelaram mensagens do ex‑banqueiro Daniel Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes, além de um contrato de R$ 130 milhões entre o escritório da esposa de Moraes e Vorcaro. Moraes negou irregularidades.
Em 15 de setembro, André Mendonça e Moraes se confrontaram em sessão do STF sobre a abertura de investigação contra o ministro. A disputa se estendeu ao TSE, influenciando decisões sobre a divulgação de notícias falsas.
Estratégias de campanha no segundo turno
Com o segundo turno, as pautas que antes dividiam cinco candidaturas se transformaram em munição entre os dois candidatos. Lula intensificou a mobilização presencial e digital, enquanto Flávio Bolsonaro buscou reduzir a exposição e evitar erros na reta final.
Os candidatos participaram de dois debates: o primeiro, na Band, uma semana antes da eleição, e o último, na TV Globo em 23 de outubro, onde repetiram ataques e apresentaram propostas.
Nas redes, grupos como “Exército do Lula” e “Tropa do Flávio” mobilizaram “soldados” digitais para cumprir missões, enquanto a Meta foi alvo de críticas sobre tratamento isonômico das candidaturas.
Impacto nas comunidades religiosas
No Dia de Nossa Senhora Aparecida (12/10), Lula celebrou missa no Palácio da Alvorada e afirmou que a padroeira estava sendo “ofendida” por alguns religiosos. Flávio Bolsonaro participou de celebração na Catedral de Brasília, e o vice‑presidente da chapa de Lula, Geraldo Alckmin, visitou o Santuário Nacional.
Em 14 de outubro, Lula enviou carta às famílias evangélicas, abordando religião, combate às apostas esportivas (bets) e direitos trabalhistas. Pesquisa da Quaest divulgada em 28 de setembro mostrava Flávio com 46% das intenções de voto entre evangélicos, contra 27% de Lula.
Um grupo de 64 bispos católicos de 21 estados publicou carta sobre o segundo turno, sem citar nomes, mas indicando preferência por um dos candidatos. A CNBB reafirmou a defesa da democracia e do respeito ao resultado das urnas.