Abertura

Com apoio de 10 partidos do Centrão, três da esquerda (PDT, PSB e PV) e sinal de que o PT deve apoiar, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), caminha para montar o maior bloco da Casa, visando sua reeleição.

Se confirmado, o PL, que detém a maior bancada individual com 121 cadeiras, ficaria isolado e perderia prioridade nas solicitações de comissões e vagas da Mesa Diretora.

Regra de prioridade nas comissões

Pelas normas da Câmara, o partido com mais cadeiras tem prioridade para os primeiros pedidos de presidência das comissões. O PL, como maior bancada, teria direito às três primeiras comissões.

Entretanto, quando partidos se unem em bloco, a prioridade passa a considerar o tamanho do bloco, não das bancadas individuais.

"Caso o bloco de Motta se confirme com 17 partidos pelo menos, os 15 primeiros pedidos para presidir comissões seriam do PT ou de partidos do Centrão", afirmou técnico do Congresso.

Simulação de impactos para o PL

A simulação indica que o PL ficaria na 16ª escolha de comissão, perdendo as três primeiras posições, mas ainda manteria presença em sete comissões.

A projeção inclui apoio já confirmado de PSD, Republicanos, MDB, Podemos, PSB, PDT e federações como União Brasil‑PP, PSDB‑Cidadania, PRD‑Solidariedade, além de federações ainda não formalizadas como PT‑PCdoB‑PV e PSOL‑Rede.

Lira e Motta após resultado da eleição na Câmara em 2025
Lira e Motta após resultado da eleição na Câmara em 2025 — Foto: Reprodução/TV Câmara

Decisão do PT e demais partidos

O PT sinaliza apoio a Motta, mas deve oficializar a posição na semana seguinte às eleições presidenciais. Deputados como Rubens Pereira Jr. (PT‑MA), Alencar Santana (PT‑SP) e Carlos Zarattini (PT‑SP) já declararam apoio ao bloco.

A federação PSOL‑Rede ainda não decidiu, avaliando fatores como eventual mudança para o sistema eleitoral distrital misto, proposta pelo Centrão e rejeitada pelo PSOL.

Estratégia de Motta e reação do PL

Se o PL permanecer isolado, perderá preferência nos espaços da Câmara; integrado ao bloco, tornará‑se o maior partido dentro do grupo, preservando privilégios.

O ex‑presidente da Câmara Arthur Lira (PP‑AL) e Motta já haviam formado um bloco que uniu PT e PL na primeira eleição de Motta ao comando da Casa.

Comentários de lideranças

O senador Flávio Bolsonaro (PL‑RJ) afirmou que o Congresso está "muito mais à direita do que ele é hoje" e destacou a importância de maioria no Senado e na Câmara.

"Com maioria no Senado para fazer o presidente do Senado, com maioria na Câmara para fazer o presidente da Câmara", disse Flávio após a eleição de primeiro turno.

Técnicos do Congresso descrevem a articulação de Motta como "jogada de mestre" e alertam que ficar fora do "blocão" trará prejuízo ao PL, reduzindo sua capacidade de escolher comissões e vagas na Mesa.

"Estar de fora do 'blocão' vai trazer um prejuízo [para o PL] porque o bloco vai ter uma massa atrativa muito grande", avaliou o técnico.

No caso da Mesa Diretora, a mesma lógica se aplica: um bloco suficientemente grande pode ocupar todas as vagas, deixando o PL sem representação direta.