Abertura
Os números do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que, até 20 de outubro de 2026, Flávio Bolsonaro recebeu R$ 36,9 milhões de 727 doadores, enquanto Lula arrecadou R$ 1,88 milhão de 571 pessoas. Ambos disputam o segundo turno da eleição presidencial no domingo, 25.
Concentração de recursos
Na campanha de Flávio Bolsonaro, 93 doadores contribuíram com R$ 100 mil ou mais, representando 13% do total de doadores, mas respondendo por 84,3% da arrecadação. Já Lula reduziu a concentração: em 2022, oito doadores acima de R$ 100 mil respondiam por 70% dos recursos; em 2026, apenas um doador (Erasmo Carlos Battistella) atingiu esse patamar, representando 27% do total.
Evolução da base de doadores
O número de doadores diretos de Lula saltou de 120 em 2022 para 571 em 2026, ampliando a base em 4,8 vezes. Em contraste, a campanha de Flávio Bolsonaro manteve uma base mais restrita, com 727 doadores até a data parcial.
Meios de pagamento predominantes
O PIX foi o principal canal de arrecadação de Flávio Bolsonaro, totalizando 765 doações (93% das operações) e R$ 27,1 milhões (73% do total). A maior contribuição individual, de R$ 1,8 milhão, veio via PIX do fazendeiro Wilson Francisco Rotta.
Para Lula, as transferências bancárias superaram o PIX, com 203 transferências somando R$ 991 mil (49% do total) contra R$ 882 mil recebidos em 410 operações de PIX (44%). A maior doação via PIX para Lula foi de R$ 90 mil.
Comparativo com 2022
Em 2022, a campanha de Jair Bolsonaro contou com 368,6 mil doadores, mas apenas 0,05% contribuíram com R$ 100 mil ou mais. A mediana das doações era R$ 1, e a média R$ 225. Já a campanha de Lula em 2022 tinha 120 doadores, com oito acima de R$ 100 mil, respondendo por 70% da arrecadação.
Recorrência e sobreposição de doadores
A taxa de doadores que fizeram mais de uma contribuição aumentou: de 2,5% em 2022 para 7% em 2026 na campanha de Lula, e de 5,1% para 6,6% na campanha de Flávio Bolsonaro. Além disso, 31% dos doadores de Flávio também contribuíram para Jair Bolsonaro em 2022, incluindo 27 doadores que já haviam doado R$ 100 mil ou mais ao pai.
Conclusão
Os dados apontam que, embora ambos os candidatos concentrem recursos em poucos grandes financiadores, Lula ampliou significativamente sua base de pequenos doadores, enquanto Flávio Bolsonaro depende fortemente de grandes contribuições via PIX. A diferença nas estratégias de captação pode influenciar o perfil de apoio nas próximas etapas da disputa presidencial.